Alô, Empresa! O funcionário NÃO é seu!

Você já ouviu chefes, líderes ou representantes de organizações dizendo algo como “os nossos funcionários”, “nossos colaboradores”, “o meu time”, “a minha assistente”, e por aí vai….

Poderíamos pensar que “nosso/nossa/meu/minha” são apenas pronomes, que utilizamos para facilitar a comunicação e, no máximo, indicar a posição das pessoas em relação a organizações e estruturas hierárquicas. Mas será que é só isso mesmo, “meu” amigo?

Não! Infelizmente, há líderes hierárquicos mais possessivos do que esses pronomes!

Há empresas e chefes que pensam ser donos do destino profissional dos funcionários!

A maioria das empresas ainda acredita que os funcionários “são o maior ativo da organização” (zzz…. por favor me acorde em alguns minutos… zzz).

A definição de ativo é “bens e direitos que pertencem a uma organização”. Acho que não preciso me alongar aqui, para mostrar que pessoas não são bens, nem direitos, tampouco pertencem à organização.

Há poucos meses, a líder de RH (uma profissional de quem eu gosto e que admiro!) de uma empresa me procurou com uma mensagem mais ou menos assim “Soube que você conversou com pessoas da minha equipe, para uma oportunidade de Trabalho na sua organização. Como nós somos usuários dos serviços da sua empresa, gostaria de propor um acordo para que vocês não abordassem nossos colaboradores ou evoluíssem em processos seletivos, sem contato prévio conosco. Aqui, mesmo tendo uma necessidade de contratação acelerada, temos política de não contratar profissionais de clientes e parceiros.”

Percebem a quantidade de pronomes possessivos mal-empregados?!! O time não é seu, a empresa não é sua e, principalmente,

O FUNCIONÁRIO NÃO É SEU!

Na verdade, eu recebi a mensagem como um convite à reflexão! Não é um assunto tão simples quanto parece. A relação Trabalhador-Organização, pressupõe um nível de confiança em que as partes tenham abertura para conversar (e buscar alternativas) quando as coisas não vão bem. Infelizmente, sabemos que nem sempre é assim. Há profissionais que abandonam projetos em que tinham um papel muito relevante, sem comunicar seus parceiros de Trabalho, bem como há chefes que demitem funcionários que nunca receberam sequer uma pista de que não estavam atendendo as expectativas combinadas.

Em diversos momentos da minha vida profissional, eu vi colegas, chefes e subordinados sendo levados (leia-se, decidindo partir) para novas oportunidades de Trabalho! A saída desses profissionais trouxe desafios para as organizações e para os times, sem dúvida. Dói perder um parceiro de Trabalho! Mas, às vezes, o sentimento de perda é puro EGO!

Eu acredito que o papel do Trabalho e das organizações é potencializar a realização humana, a consolidação da identidade, o sentido de pertencimento… (filosofei, tá bom…). Portanto,

Se outra organização tem uma possibilidade de Trabalho que possa interessar a uma pessoa que está empregada na empresa onde você trabalha, você – gestor, líder, chefe, coordenador, carrasco, brother, ou o que você acha que é na relação Empregado x Empregador – NÃO tem o direito de restringir o acesso a essa oportunidade.

Sabe o que você tem? A chance de criar uma relação saudável com as pessoas que trabalham com você, para que elas conversem e contem pra você quando receberem propostas que julguem interessantes no mercado! E que elas tenhamvoz para dizer como se sentem no emprego atual e como veem a relação com Trabalho – o que falta, o que sobra, o que é bom e o que poderia ser diferente.

Como eu sempre digo, o Trabalho é uma forma de Amor, e, tanto em um campo quanto no outro, substituir estratégias de controle pela construção de uma relação de confiança, respeito e apreciação traz muito mais leveza e felicidade aos envolvidos!

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