Por que vamos queimar a Carteira de trabalho!

Se você está insatisfeito com a realidade do Trabalho, leia o texto até o final!

Assim como eu, milhões de brasileiros consideravam uma das suas maiores conquistas profissionais a assinatura da carteira de trabalho (CTPS). O caderninho azul era quase uma medalha de reconhecimento e poderia ser a chave para novas possibilidades de sucesso!

A minha carteira foi estreada quando eu tinha 17 anos. E, em cada um dos meus diversos empregos, eu me sentia realizado com o carimbo, o registro dos aumentos, o tal dissídio (ai ai ai), a obrigatoriedade das férias, aquele 1/3 adicional e a maravilha do 13º salário. O emprego formal sempre fora meu objetivo profissional. Foi assim que eu aprendi e era isso que era o certo!

Há 25 anos, ninguém falava em empreender. A gente só queria um emprego. Uma oportunidade de entrar em uma empresa, ganhar dinheiro e construir uma carreira. (Por carreira, entenda-se, subir os degraus da estrutura hierárquica que alguém desenhou pra você – a empresa, o RH, o chefe, a “matriz” etc.)

Um querido amigo empresário autônomo me contou, recentemente, que numa dessas sessões de limpeza de gavetas, tirando coisas que a gente guarda pensando que irá utilizar um dia e nunca usa… ele decidiu queimar a carteira de trabalho. Minha primeira reação foi: “que coragem!”.

Então, pensei: “onde está minha carteira de trabalho?”. (Há cerca de 5 anos, eu não a utilizo…)

Fui à caça, para escrever esse artigo, encontrei a danada e descobri que:

  1. Eu não era nada fotogênico naquela época (quem dera já tivessem inventado o Photoshop)
  2. Há registro de passagens por 8 empresas (que somadas a uma breve atuação como vendedor de cursos de inglês nas ruas da Av. Paulista (!!!!), um estágio, um emprego público, um programa de trainee nos EUA, a ação como sócio de startup, e agora dono do meu próprio negócio – Exboss – totalizam nada menos do que 14 interações com diferentes culturas, empresas e formas de Trabalho. UAU!)

Na verdade,

A carteira de trabalho devia se chamar carteira de emprego. Tudo o que ela representa é baseado numa relação obsoleta contratual de XX horas de presença, em troca de YY “dinheiros” e ZZ níveis de obediência. Isso é Emprego e Não Trabalho.

(mais informações sobre esse tema no final do texto!)

A legislação que a suporta, ao mesmo tempo que busca oferecer proteção e suporte aos trabalhadores, restringe a autonomia e flexibilidade entre as partes, evitando que possam discutir e criar suas carreiras e formas de prestação de serviços, favorecendo maior conexão com o Trabalho.

Eu pensei que queimaria minha carteira de trabalho, mas na verdade, ela já estava apagada na minha cabeça e no meu coração. Queima-la fisicamente seria parte de um ritual, do qual não senti falta. Vou guardá-la como registro de um passado que foi importante para formar a pessoa e o trabalhador que sou, juntinho com a carteirinha da escola do Pré II (cuja foto é bem mais fofinha).

Os tempos mudaram e a carteira de trabalho representa parte do atraso que nosso país insiste em manter nas relações profissionais. A onda de empreendedorismo que vemos é a mais clara manifestação da morte lenta do emprego como o conhecemos.

Os trabalhadores querem (e precisam ter):

– Autonomia = que possa ser exercida com iniciativa e responsabilidade.

– Flexibilidade = de horário, de foco de atuação, de interação com outros, de comunicação, de formação, de estrutura e de formas de reconhecimento.

– Colaboração = entre áreas de conhecimento, organizações do mercado, estruturas internas, gerações e diversidade.

– Liberdade = para sugerir e descobrir a forma que julgam eficiente para a elaboração do seu Trabalho

Talvez, você, assim como eu, decida não queimar sua carteira de trabalho.

Mas aceite queimar os velhos conceitos!

– Queime suas crenças de que precisa de proteção e que a legislação trabalhista o protege. Acredite, ela não o faz!

– Queime a ideia da pseudo-comodidade das férias seguras e do 13º garantido em troca das possibilidades que pode construir na vida profissional, compartilhando os desafios e o sucesso.

– Queime a sua mentalidade de 8 horas de atividade, quando você acaba sendo improdutivo em grande parte do tempo, por raiva de estar preso a uma carga horária fixa.

– Queime o costume de fofocar contra os “colegas da firma” e o “chefe chato”. (Eles são trabalhadores presos na mesma máquina que você!).

– Queime o desânimo e o pensamento de “eu só trabalho aqui”. (Pessoas – dentro e fora da sua organização – dependem de você e torcem por você!)

– Atue com paixão e faça seu Trabalho ser maior e mais produtivo do que uma relação contratual e seus limites legais. Tenha orgulho do seu Trabalho!

Você é maior e mais completo do que qualquer documento formal pode lhe dizer, e sua produção merece mais humanidade, beleza, potência e reconhecimento do que cabem no livreto azul!

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