Que gostosaaaa! Não fosse a cara… – (heim???)

Vivemos em um mundo de excessos.

Excesso de regras, de ofertas, de liberdades, de culpas, de opiniões, de juízes.

Excesso de vícios, de certezas, de medos, de provocações, de limites.

Excesso de contradições.

50 tons de cinza só existem em um filme chato que queria ser sensual – #sqn. No mundo real, as pessoas querem ir pra porrada se você não enxergar o branco mais branco que alguém criou com um sabão em pó imaginário, ou o preto absoluto da tinta que sai da caneta (ou teclado) de outro!

Acho um saco os excessos. Principalmente os falados. Os discursos.

E no meu excesso de achar um saco algumas coisas, eu sempre acheium saco o feminismo exagerado. O conceito de que “as mulheres estão sempre à mercê dos homens, nesta sociedade que valoriza o macho e tolera a fêmea”. Um saco.

No entanto, há algumas semanas eu estava na academia, quando ouvi um comentário, que me incomodou.

– QUE GOSTOSA! Não fosse a cara….

Virei para ver quem era o cavalheiro com opinião tão gentil e vi que era um dos professores (heim??) da academia, trocando uma ideia (fraca) com um aluno.

Ao ouvir, fiquei puto. Me irritei. Em excesso. Mas não soube o que fazer.

Nem conheço a moça. Linda ela! Talvez eu devesse tê-la abordado e compartilhado algumas informações exclusivas do vestiário masculino, para que ela também formasse uma opinião sobre os jurados, do tipo: – QUE LINDO O CORPO DE THOR! Não fosse omartelinho…

Mas por que eu havia ficado irritado?Eu sei que homem fala merda. Em excesso.

Dois homens comentando sobre o corpo de uma mulher, de maneira pejorativa, haviam disparado o gatilho, mas havia algo mais. Foi um exemplo de desrespeito, ainda que eu consiga ver a situação inversa, ou seja, duas mulheres comentando sobre o corpo de um homem com a mesma grosseria.

O ponto que pegou é que é inaceitável imaginar um profissional, no exercício do seu trabalho, achar natural comentar sobre o corpo de umacliente, funcionária, colega, chefe, o que seja, como expediente para gerar a tal “brodagem”, esse vínculo escroto que alguns homens ainda acham que funciona como forma de conexão de gênero.

Não. Não é legal. Não. Não te faz um cara mais foda. Não. Eu realmente não quero saber se você tem uma amante mais nova.

Sempre tive mulheres fantásticas ao meu redor.

Minha bisavó, que me despertou o olhar à beleza. Tão linda.

Minha avó, que me apresentou a paixão por fazer bolos deliciosos com ela. (Agora faço com meus filhos)

Minha mãe, que me mostrou que amor só é amor se houver ação.

No caminho destas três gerações, os machos se foram, cada qual por seu excesso.

Minha mulher me faz amar o amor, todos os dias.

Minha filhame ensina a me enxergar, com mais clareza que qualquer espelho. E me faz querer ser melhor.

Muitas outras mulheres me ajudaram e me ajudam a ver e a ser. Irmãs, primas, amigas, professoras (puxa! As professoras!), funcionárias, colegas, chefes.

Obrigado, Mulheres. Feliz Dia da Mulher!

A vocês, meu presente não são flores. Meu presente é atenção e parceria. É reconhecer e restringiro excesso que, no dia a dia, faz alguns homens acreditarem que vivem num mundo que prioriza o macho e tolera a fêmea. E isso, sim, é um saco!

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